Reconstruir o Sentido da Vida após o Luto e Crises de Carreira

Fonte: Imagem com IA

Quando o mundo conhecido desmorona: o sentido da pausa nas grandes transições da vida

Sabe aquele momento em que a agenda lotada, o cargo de liderança ou o papel de "mulher que dá conta de tudo" deixam de fazer sentido? Ou quando uma perda, seja de um ente querido ou de uma identidade profissional, faz com que o mundo, antes familiar, se torne subitamente estranho?

Como observou Martin Heidegger, somos "lançados" no mundo e, muitas vezes, passamos a vida no modo automático, cumprindo expectativas alheias. Mas é justamente no momento da crise, o que chamamos de ruptura do cotidiano, que temos a chance de olhar para a nossa própria existência de forma autêntica.

O vazio não é um defeito

Muitas vezes, a primeira reação é tentar "consertar" o que estamos sentindo. Buscamos ferramentas de produtividade para vencer o cansaço ou prazos para que a dor do luto finalmente passe. Queremos voltar ao que éramos.

No entanto, para a fenomenologia existencialista, esse vazio não é um erro de percurso. Como menciona Jean-Paul Sartre, a angústia é o reconhecimento da nossa própria liberdade. Quando o "solo" onde pisamos desaparece, seja pela ruptura de uma carreira ou pelo silêncio de um luto, somos confrontados com a pergunta mais honesta de todas: quem sou eu para além do que os outros esperam de mim?

A sobrecarga feminina e a perda de si

Para a mulher contemporânea, essa pergunta é abafada por mil exigências. Como pontuou Simone de Beauvoir, o destino da mulher é frequentemente moldado por construções sociais que a afastam de suas escolhas mais genuínas. Cuidados com a casa, saúde dos familiares, contas a pagar, entre diversos e ininterruptos afazeres. Entre a performance na carreira e as expectativas familiares, o "ser-si-mesma" acaba soterrado.

A psicoterapia, sob a ótica fenomenológica da existência, não serve para te tornar mais "funcional" para o mundo, mas para permitir que você recupere a sua capacidade de escolher com propriedade.

Ocupar o próprio espaço

Seja atravessando a dor de uma perda que ninguém parece entender, ou o peso de uma carreira que já não cabe mais nos seus valores, o convite é o mesmo: parar de tentar apenas funcionar para começar a existir com sentido.

Como sugere a perspectiva existencialista, não se trata de buscar soluções prontas que nos isentem da angústia, mas de assumir a liberdade que surge quando as estruturas antigas se rompem. Afinal, somos 'condenados a ser livres', e as maiores reconstruções acontecem justamente quando aceitamos que o passado não nos determina. Nesse vazio que se abre, deixamos de ser o que o mundo nos impôs para nos tornarmos o que escolhemos fazer com o que fizeram de nós.

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Fundamentos:

BEAUVOIR, Simone de. O Segundo Sexo. Tradução de Sérgio Milliet. 2. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2009.

FRANKL, Viktor E. Em busca de sentido: um psicólogo no campo de concentração. Tradução de Walter O. Schlupp e Carlos C. Aveline. 25. ed. Petrópolis: Vozes, 2008.

HEIDEGGER, Martin. Ser e Tempo. Tradução de Marcia Sá Cavalcante Schuback. 15. ed. Petrópolis: Vozes, 2005.

SARTRE, Jean-Paul. O existencialismo é um humanismo. Tradução de Vergílio Ferreira. São Paulo: Nova Cultural, 1987. (Coleção Os Pensadores).

Observação 

Se você sente que está vivendo esse momento de transição e busca um espaço de escuta que respeite o seu tempo e a sua singularidade, agende uma sessão de acolhimento. Psicoterapia para perda de sentido, transições e lutos. Agendamentos em lailagraf@gmail.com

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