Rotina e atividades físicas



Rotina: segundo o dicionário Houaiss, esse termo se refere a: 1) caminho utilizado normalmente; itinerário habitual; rotineira; 2) sentido figurado: hábito de fazer algo sempre do mesmo modo, mecanicamente; rotineira; 3) Rubrica: informática: em um código, conjunto de instruções capaz de executar uma tarefa; 4) termo de marinha: horário estabelecido para as atividades diárias que acontecem a bordo. Assim, pode se perceber que a rotina refere-se ao seguimento, prosseguimentos de atividades cotidianas e diárias. Com isso, levanto a seguinte questão, qual seria o melhor modo de inserir as atividades físicas e organizá-las na nossa rotina?


Como já escrevi anteriormente, frequentemente às pessoas em suas vidas cotidianas estão mais voltadas às suas atividades laborais e remuneradas. Na sociedade atual, em geral, as crianças desde cedo são ensinadas sobre o valor do dinheiro, do trabalho e da necessidade de se adequar ou acompanhar o mercado do trabalho e o financeiro. Considerando essa importância, muitas escolas já possuem aulas de educação financeira (observação: desde 2017 essas aulas passaram a ser obrigatórias no currículo do ensino fundamental). Tratarei desse relevante tópico em outro post. Inegavelmente, a sociedade atual tem um de seus fundamento no pilar econômico para manutenção da vida, especialmente em uma sociedade como a brasileira, que opera com os investimentos públicos e privados em diversos atendimentos fundamentais, como saúde, educação. etc.

Com isso, em prol de garantir serviços básicos, de qualidade, a população em geral é tensionada a enfocar nos recursos financeiros para arcar com as elevadas despesas de serviços mesmos essenciais, além dos impostos. Aqui não teria o objetivo de adentrar a essa discussão, mas de trazer esse contexto e lançar algumas perguntas: como o mundo do trabalho tão associado ao prover recursos financeiros e viabilizar os atendimentos e serviços básicos, haveria algum modo de as pessoas se "desligarem" desse "mundo do trabalho"? Como seria possível melhorar a qualidade de vida diante desse contexto? Como alterar a rotina para organizar todas as prioridades? E, por último: os cuidados com o corpo físico podem ser considerados prioritários?

Como já é abordado em pesquisas e estudos, o ser humano, em seu processo evolutivo, possui dificuldades em relação a coluna vertebral, segundo dados atuais, estima-se que entre 22% e 65% das pessoas vão experimentar, em algum momento de suas vidas, o sintoma “dores nas costas" (Waizbort & Luz, 2017). Com informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), um em cada cinco adultos têm problemas crônicos de coluna (atingindo 16% da população). Dificilmente as pessoas conseguem passar incólumes até a idade avançada sem dores causadas por diversos problemas associados ao funcionamento dessa estrutura: são hérnias de disco, lesões, desvios. Cada vez mais, dependendo das demandas nas atividades de vida, os problemas tendem a se agravar com o passar dos anos.

Como isso, lembro que exercícios e atividades físicas podem não ter o mesmo significado. Arrumação da casa, por exemplo, pode ser considerada uma atividade, mas não corresponde a uma atividade sistemática e feita com regularidade. Frequentemente, é comum essa troca, pelo fato de que muitas atividades exigem esforço físico, porém não se caracterizam por haver uma regularidade e serem uniformes. Lembro de uma pesquisa em que participei em 2012 na área rural em que muitos entrevistados efetuavam essa confusão de conceitos, compreendiam estarem efetuando atividades físicas, mas que não se caracterizavam como exercícios físicos. Embora passassem o dia todo praticamente em atividades que exigiam esforço físico, não tinham em sua agenda espaço específicos para atividades regulares e sistemáticas. Segundo Brasil Saúde (2020), tanto o exercício físico, como a atividade física, possuem benefícios para o ser humano, embora também ressaltem a diferença entre os conceitos: as atividades físicas são importantes para reduzir os riscos de mortalidade e de desenvolver doenças e o exercício físico, somado aos anteriores, é importante para controle do peso, melhorar a qualidade do sono, preservação cognição, ainda mais ajudar no tratamento e controle de variadas doenças crônicas.

Assim, o importante seria estabelecer uma organização no dia a dia para que a pessoa pudesse colocar em prática essa necessidade humana de colocar-se em movimento, tanto em atividades físicas, quanto exercícios físicos. Lembrando o quanto é fundamental a saúde física do corpo para a manutenção da capacidade de trabalho e de vida em geral. Além disso, Bourne e Garano (2008) destacam que a atividade física regular (na forma de exercícios físicos) é um dos métodos mais efetivos para reduzir a ansiedade.

Assim, como seria possível agregar os exercícios na rotina? Bom, o importante primeiramente é consultar um médico clínico geral para realizar o acompanhamento, verificar suas possibilidades quanto ao tipo de atividades físicas e se certificar de seu condicionamento físico. Um educador físico é um grande aliado, bem como, caso necessário, a avaliação de um fisioterapeuta. A abordagem psicológica que emprego é comprometida com o a interdisciplinaridade, assim esses profissionais são aliados e fundamentais nesse processo de pensar e cuidar do corpo. Mas apenas como esclarecimentos iniciais, então, Bourne e Garano (2008) sustentam que se você tem acima de 40 anos e não tem o hábito de efetuar atividades físicas, a consulta com um cardiologista também é imprescindível.

Entre outras recomendações, Bourne e Garano (2008) esclarecem:

a) A atividade física precisa ser tornar um hábito, com intensidade e duração suficientes para ter um impacto significativo. Evite se exercitar apenas uma vez por semana, mas de preferência que seja de quatro a cinco vezes com duração de vinte a trinta minutos ou mais por seção. O exercício feito uma vez por semana é mais prejudicial do que benéfico, pois pode ser estressantes para o corpo ( sendo a caminhada é uma exceção).

b) A modalidade de atividade física que você poderá escolher depende de seus objetivos e a escolha pode ser auxiliada pela orientação dos profissionais citados acima.

c) Caminhada: segundo os autores, essa modalidade apresenta muitas vantagens. Em primeiro lugar, ela não requer treinamento; não exige equipamento além dos tênis; e pode ser feita praticamente em qualquer lugar. Um fator de grande importância é a baixa probabilidade de lesões, menor do que qualquer outro tipo de atividade física. No entanto, cabe assinalar a diferença entre caminhar para relaxar e caminhar para obter condicionamento aeróbico. Na caminhada, segundo os autores, é importante andar por cerca de uma hora em ritmo acelerado (cerca de 5 km), pelo menos de quatro a cinco vezes por semana, manter a boa postura e, caso se sinta confortável, balançar os braços nas passadas pois ajudam a integrar os hemisférios direito e esquerdo do cérebro. Bons tênis são muito importantes (outras possibilidades de atividades físicas são: corrida, natação, ciclismo, entre outras).

d) A atividade deve ser agradável e divertida. Cenários bonitos ou os exercícios na natureza podem ser interessantes. No âmbito doméstico, você pode colocar uma música ou assistir um vídeo. Caso for possível, os equipamentos como bicicletas e esteiras são ótimos para as atividades feitas em casa (no caso de mães, que precisam supervisionar os filhos e não podem ser ausentar, podem ser aliad0s importantes).

e) Coloque os exercícios como uma prioridade na sua agenda; caso no final do dia ficar muito cansado (a), tente alterar o horário na agenda, efetuando as atividades antes do trabalho ou no intervalo do almoço. O importante é não desistir: "o que muitas pessoas sedentárias não conseguem perceber é que o exercício moderado pode eliminar a fadiga" (p. 115).

d) Lembrando que: "Com paciência e persistência, é possível adquirir uma excelente forma física em quase todas as idades" (p. 116).

Os exercícios promovem benefícios físicos e psicológicos. São importantes para alterar uma condição psicológica de ansiedade, como de promover melhorias na saúde física e na qualidade de vida. Assim, pensar os exercícios como uma prioridade, uma condição necessária, promotora de condições de trabalho e de vida na atualidade e no futuro e por proporcionar bem estar e fortalecimento muscular com prevenção de lesões é muito importante. Deste modo, elas podem ser sim colocadas como prioritárias na agenda, tal como uma reunião com um cliente importante e, neste caso, sendo você mesmo o protagonista do cenário.

Destaco que associados às práticas de atividades físicas estão os aspectos psicológicos, que incluem a sensação de bem estar; além da consideração partindo do ponto de vista da psicologia da qual trabalho de que a regularidade e organização do cotidiano são fundamentais para a contemplação do conjunto dos perfis da personalidade evitando distorções e relações de corredor que possam conduzir a pessoa para a solidão, isolamento e estresse acompanhado de vazio-de-ser e a ansiedade.

Saudações,
Psicóloga e Psicoterapeuta Existencialista Dr. Laila P Graf Ornellas
Comentários ou dúvidas, encaminhe-as para mim: lailagraf@gmail.com


Referências:
Bourne, E & Garano, L. (2008). Acabe com a ansiedade antes que ela acabe com você. 9 Edição. Editora gente.
IBGE-Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
Waizbort, Ricardo Francisco & Luz, Maurício Roberto. (2017). Medicina Evolutiva: Incorporando a Teoria da Evolução na Formação de Profissionais de Saúde Brasileiros. Rev. bras. educ. med. 41 (4) • Oct-Dec.
Saúde Brasil (2020). Exercício Físico x Atividade Física: você sabe a diferença?. Exercício Físico x Atividade Física: você sabe a diferença? - Saúde Brasil (saude.gov.br)


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