O Longo Período de luta para a Dignidade Trabalhista


Imagine trabalhar de sol a sol, sem saber o que é um fim de semana de descanso, e sem nenhuma proteção caso um acidente acontecesse na fábrica. Essa era a realidade de milhões de trabalhadores no século XIX. As leis de proteção não surgiram da noite para o dia; elas foram fruto de décadas de lutas.

Muitas vezes, a luta não era por "algo novo", mas sim para impedir o retrocesso e os constantes pedidos para voltar ao "status quo" de exploração.

Essa luta durou todo o século XIX e as discussões pareciam intermináveis. Da ideia de uma lei até a sua votação final, o tempo parecia parar. Esperar 10 ou 20 anos era a norma, não a exceção.

A redução da jornada para 10 horas, por exemplo, demorou incríveis 40 anos de luta! O direito a um simples descanso semanal exigiu 27 anos de pressão contínua sobre os legisladores. Nada foi fácil. Nada foi rápido.

Hoje, quando olhamos para as nossas 8 horas de trabalho ou o nosso descanso garantido, podemos lembrar que esses direitos não foram presentes, não existiam. Foram conquistados com tempo, suor e persistência de muitos trabalhadores antes de nós. 

Cabe ressaltar que pode haver retrocessos. Lutar ainda pelos direitos é fundamental para que abrirmos espaços de trabalho com dignidade para as futuras gerações. 


Fonte: DEJOURS, Christophe. A loucura do trabalho: estudo de psicopatologia do trabalho. Tradução de Ana Isabel Paraguay e Maria Ferreira da Silva. São Paulo: Oboré, 1987. 189 p.


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