Psicologia Existencialista: minha historia com essa abordagem psicoterapêutica


Nem sempre é possível contarmos com detalhes a nossa história e os caminhos e percursos que atravessamos. Assim, nesse espaço procuro contar como adentrei o campo de intervenção da Psicoterapia Existencialista e os meus encontros e desencontros com essa abordagem. 

Eu tive aulas de Psicologia Existencialista com a Professora Marisa Rosa já no meu curso de graduação em Psicologia, na Universidade Regional de Blumenau em 2003. Nessas aulas, efetuei leituras do material e assistir as aulas, lembro-me como eram marcantes para mim e diferente das abordagens anteriores que eu havia estudado, fiquei impressionada especialmente pelas demarcações de ciência que a professora efetuava. No entanto, no meu estágio, por haver poucas vagas para a clínica existencialista, optei pelo trabalho psicoterapêutico com a abordagem da psicanálise. 

Após minha formatura em Psicologia na FURB, ingressei em uma equipe de estudos de psicanálise com base em Winnicott e permaneci durante um ano e meio. Ali efetuávamos leituras e debatíamos casos clínicos com base na leitura dos autores da psicanálise. No entanto, após o ingresso como apoio técnico de pesquisa no Programa Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional, comecei a desenvolver estudos mais relacionados à Psicologia Social a partir dos teóricos do Construtivismo Social e das Narrativas. 

No mestrado em Psicologia na UFSC foi onde eu realmente tive mais proximidade com a Psicologia Existencialista, mais especificamente a partir de uma amizade com uma psicóloga doutoranda que cursava as mesmas disciplinas que eu e, a partir das conversas com ela,  comecei a compreender o existencialismo na prática e no dia a dia, onde a compreensão da subjetividade estava mais relacionada às vivências e no embate do sujeito com o exterior do que em um Eu interior encapsulado. Essa amiga fez estudos brilhantes no campo da psicologia existencialista e era psicóloga clínica na abordagem. 

Para mim foi inesquecível uma aula de mestrado na Pós-Graduação em Psicologia da UFSC de Epistemologia em Psicologia (estudo dos fundamentos da ciência psicológica) em que houve um grande debate dos lugares que os psicólogos ocupavam e de onde partiam suas ideias, havia psicólogos do campo do Behaviorismo, Social, Evolucionista, Psicanálise, Sócio-Histórico, entre outros. Nessas aulas, pudemos estudar os fundamentos da ciência de cada perspectiva clínica e, para mim foi nessa época, a partir de todas as discussões e estudos, que formulei a minha compreensão particular de que iria procurar alguém da abordagem existencialista caso um dia precisasse de um atendimento clínico em psicologia, tanto pelo enfoque científico, como por ter esse olhar para o externo sem culpabilizações internas.

A psicologia existencialista tem seus fundamentos na obra Sartreana,  em diversos textos e livros publicados por Jean Paul Sartre em um período posterior ao tempo de Freud, poderíamos até mencionar que se trata de uma psicologia francesa. Muitos teóricos atuais esclarecem  que a obra Sartreana faz um corte epistemológico na psicologia, pois ao mesmo tempo que se baliza, ela se contrapõem aos estudos de Freud, destacando-se como uma outra epistemologia. 

Em Florianópolis, precisando de atendimento clínico por crise emocional conheci uma Psicóloga existencialista, que era natural de Blumenau e assim experimentei na pele a potencialidade da intervenção, principalmente por modificar elementos presentes no dia a dia. É uma metodologia que entende a subjetividade sendo construída relacionado o dentro com o fora e considerando a biografia e o futuro da pessoa. 

Após o doutorado, por volta de 2018, com o objetivo de trabalhar em psicoterapia, essa minha psicóloga me indicou o seu supervisor e comecei a participar de um grupo de trabalho em Psicoterapia Existencialista e, assim, pude acompanhar os casos clínicos por alguns anos e ver como a metodologia era empregada na prática. 

Nesse tempo, também efetuei uma pós-graduação em Psicologia Existencial Infantojuvenil no Rio de Janeiro, depois realmente me aprofundei no existencialismo a partir de uma pesquisa de Pós-Doutorado na UFRJ com o prof. Fernando Gastal de Castro e com mais um curso de formação em psicoterapia existencialista no Instituto Nexis com a Prof. Marisa Rosa, lembra, minha professora da FURB?, além de ministrar aulas e supervisões na universidade.

Atualmente, eu trabalho e pesquiso a partir dessa abordagem fenomenológica existencialista, que trata de potencialidades a partir da compreensão das relações fundamentais e do projeto e desejo-de-ser e, como diz Sartre, "Eis nos libertos da vida interior". 

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