De acordo com Whitaker (2017), para conhecer o campo da saúde atual da psiquiatria, com um contexto atual de grande número de incapacitados, é preciso organizar um grande quebra-cabeça:
1. Elementos históricos da medicina e sua associação com a indústria farmacêutica;
2. Pesquisas e estudos que contestaram as medicações ao longo dos anos como tratamento único, além de análises que mostravam melhorias parciais e insuficientes com as medicações e seus danos.
3. Destacar também como as pesquisas e congressos e médicos foram financiados pela indústria farmacêutica e produziram uma linha de argumentos a favor da medicação e do uso contínuo dos mesmos;
4. Como funcionam os mecanismos neurobiológicos com o uso das medicações.
O livro de Whitaker (2017) aborda esses diferentes pontos citados acima, embora denso, é um livro que deve ser estudado profundamente e compreendido por usuários, público e profissionais da área.
Aqui efetuo esforços no sentido de destacar alguns elementos históricos abordados no livro:
1. Introdução:
Whitaker (2017) entrou no campo da saúde mental como jornalista de ciência médica, efetuando resenhas para estudos e pesquisas médicas, nesse trabalho se deparou com pesquisas em humanos com o uso de psicotrópicos que o intrigaram; nesses estudos retiravam-se os medicamentos de usuários, o que o chocou, pois na época pensou ser um procedimento antiético. Com tantas informações desencontradas, resolveu estudar esse campo minado a fundo.
Para o autor, seria apenas efetuando um o resgate hhistórico que seria possível revelar o motivo de haver um aumento intenso no número de pessoas consideradas inválidas pela doença mental pelo sistema social americano, bem como o porquê de tantas crianças diagnosticadas (em outras palavras, derrubadas) com doenças mentais graves na atualidade.
2. Que ciência é essa?
Para entender o campo da saúde em psiquiatria, é necessário desvendar uma história de uma ciência que perdura aproximadamente 55 anos, com um grande destaque para o período anterior (Antes dos remédios psiquiátricos) e posteriormente (Depois dos remédios psiquiátricos) nas condutas e nos tratamentos do paciente psiquiátrico.
Ponto1. Alinhamento médico com a indústria farmacêutica
Em 1951, o Congresso Norte- Americano aprovou a Emenda Durham-Humphrey a essa lei, que decretou que a maioria dos novos medicamentos só ficaria disponível mediante a apresentação da receita, e que também seriam exigidas receitas na compra de novas doses de uma mesma medicação (p.71).
Os médicos passaram então a desfrutar de um lugar muito privilegiado na sociedade norte-americana. Controlavam o acesso do público aos antibióticos e a outros novos medicamentos. Em síntese, tinham se tornado os vendedores varejistas desses produtos, com os farmacêuticos simplesmente cumprindo suas ordens, e, na qualidade de vendedores, passaram então a ter urna razão financeira para alardear as maravilhas de seus produtos. Quanto melhor fosse a percepção dos novos remédios, mais o público se inclinaria a procurar os consultórios para obter receitas. "Ao que parece, a posição do próprio médico no mercado é fortemente influenciada por sua reputação de uso das drogas mais recentes", explicou a revista Fortune (p. 71).
Os interesses financeiros da indústria farmacêutica e dos médicos alinharam- se como nunca havia acontecido até então.
Esse novo mercado de fármacos revelou-se lucrativo para todos os envolvidos. A receita da indústria farmacêutica ultrapassou um bilhão de dólares em 1957, e as empresas farmacêuticas tiveram lucros que as transformaram "nas queridinhas de Wall Street", segundo um autor. Agora que os médicos controlavam o acesso aos antibióticos e a todos os outros medicamentos que exigiam retenção da receita, sua renda começou a aumentar rapidamente, duplicando entre 1950 e 1970 ( depois de feitos os ajustes da inflação) (p. 72)
Ponto 2: Lançamento dos psicotrópicos:
A Era moderna da psiquiatria teve início em 1954, antes a área era vista como a prima pobre da medicina, pois não receitava medicamentos como antibióticos.
Thorazine (clorpromaina) foi o primeiro medicamento usado para um distúrbio mental, que era um antipsicótico e deu o pontapé inicial para uma revolução psicofarmacológica.
Logo em seguida foram descobertos antidepressivos e ansiolíticos, e, como resultado, hoje há uma variedade.
Os primeiros psiquiatras que receitaram a clorpromazina, que era comercializada nos Estados Unidos como Thorazine, chamavam-o de "tranquilizante potente".
"Na França, Delay e Deniker cunharam um termo científico mais preciso, a nova droga era um "neuroléptico", o que significava que ela se apoderava do sistema nervoso. A clorpromazina, concluíram os dois, induzia déficits semelhantes aos que se viam nos pacientes com encefalite letárgica. "Com efeito", escreveu Deniker, "seria possível causar uma verdadeira epidemia de encefalite com as novas drogas. Os sintomas evoluíram da sonolência reversível para todos os tipos de discinesia e hipercinesia e, por fim, para o parkinsonismo."
Os Médicos dos Estados Unidos compreenderam, similarmente, que essa nova droga não curava nenhuma patologia conhecida. "Temos de lembrar que não estamos tratando de doenças com essa droga", disse o psiquiatra E. H. Parsons num congresso sobre a clorpromazina, realizado em Filadélfia em 1955". (P. 66)
#Destaques históricos

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